Estresse traumático e famílias

June 13, 2018
Health and Mental Care
News

Juliana Gerena, Psy.D e Raven Oshiro, M.S

 

Reações a experiências traumáticas podem causar uma dor emocional severa para a vítima assim como sua família. Esta exposição é frequentemente conhecida como Trauma Secundário (VT em inglês) que é um termo usado para definir as mudanças vivenciadas por indivíduos e resultantes de ouvir histórias de vitimização, e de assistir à dor emocional de outra pessoa (1). O VT explica a exposição indireta da família assim como o estresse, a exaustão e a hipervigilância experimentada. Tem ocorrido um progresso significativo em ajudar a identificar a exposição traumática e seu impacto nas famílias. Essas experiências podem levar a mudanças para a vítima e sua família que incluem, entre outras, mudanças da identidade, da visão do mundo e da espiritualidade de um indivíduo. Há inúmeras formas de violência no mundo que podem causar impacto. Conhecer os vários tipos de trauma aprimora a habilidade da pessoa em identificar e praticar a segurança para evitar eventos traumáticos futuros.

O que colabora para o desenvolvimento do trauma secundário? 

Quando indivíduos se tornam vítimas de um evento traumático, os membros da família tentam ajudar a pessoa e durante estas tentativas estão expostos à repetição da descrição do trauma. Demonstrar ajuda emocional para a pessoa que necessita pode levar a um aumento de estresse para a família resultando em sintomas de trauma secundário para aquele que ajuda. Esses sintomas surgem devido ao envolvimento empático com a vítima do trauma, ou devido à história pessoal de trauma do membro da família. Entre os sintomas de trauma secundário estão a ansiedade, a depressão, a tristeza, a fuga e o aumento da vulnerabilidade que variam e dependem da idade, sexo, história de trauma familiar, ajuda social e cultural, e fatores de estresse atuais (2). Uma maior conscientização dos fatores potenciais de risco ajuda na identificação dos sintomas de trauma secundário e na recuperação.

Pesquisas indicam que mais da metade das crianças são expostas no mínimo a uma experiência traumática (3). Estas experiências podem variar de abuso, negligência, violência na família/comunidade a separação dos pais (3). As crianças que vivenciam um trauma podem exibir problemas de adaptação na escola, apresentar relações problemáticas com a família e os colegas, e ter dificuldade de administrar suas emoções (3). Segundo a Associação de Psicologia Americana (APA), houve uma elevação dos índices de violência entre crianças e adolescentes; as taxas de prevalência por testemunhar violência na comunidade aumentaram de 39 para 85 por cento, os índices de vitimização se elevaram para 66 por cento e os índices de exposição de crianças e jovens ao abuso sexual aumentou de 24 para 43 por cento. Além dessas experiências negativas, outros eventos traumáticos, como danos não intencionais, impactam muitas crianças e adolescentes. A APA relatou que 7,9 milhões de crianças receberam cuidados médicos devido a acidentes com veículos, quedas e quase afogamento. Independentemente do tipo de trauma vivenciado pela criança, esses eventos impactam a família.

Qual é o significado dessas experiências para as famílias?

Divulgar a conscientização e conhecer os fatores potenciais de risco para o trauma ajudam os pais a identificar se estão vivenciando uma situação de trauma secundário. Estas experiências traumáticas são prejudiciais para o desenvolvimento das crianças causando também sofrimento emocional, físico e psicológico para a família. Tentar aliviar a dor emocional da vítima resulta em estresse e em um sentimento de impotência. Estar consciente do impacto que o trauma causa na família e incorporar a segurança, a estabilidade e um ambiente acolhedor ajuda as famílias a se tornarem mais fortes. Por exemplo, a família pode ajudar a proporcionar um sentido de segurança para os filhos restabelecendo rotinas como voltar às aulas, participar nos eventos comunitários e trazer de volta o jantar em família todas as noites. Embora isso possa não ser fácil, participar nessas atividades ajuda a sentir que a vida voltou à normalidade continuando a ser como antes do evento. Essas atividades ajudam a incentivar a prática da segurança na comunidade para prevenir a ocorrência de futuros eventos traumáticos. Se necessitarem de ajuda, as famílias podem recorrer às agências locais, escolas e a outros membros de famílias na comunidade. É importante que nós, como comunidade, nos tornemos conscientes do impacto que o trauma causa em nossas crianças e em nossas famílias.

 

Juliana Gerena, doutora em psicologia fundou a Gerena and Associates em Coral Springs, na Flórida, um consultório particular dedicado a oferecer serviços de saúde mental para crianças, adultos, casais e famílias. Obteve seu doutorado em psicologia clínica na Albizu University e conta com mais de 20 anos de experiência trabalhando com a população forense, especificamente com crianças e famílias. Raven Oshiro, mestre em ciências é uma estudante de pós-graduação de psicologia clínica na Albizu University. Está atualmente completando seu estágio de pós-graduação na Gerena and Associates atendendo crianças e suas famílias. Para mais informações acesse: Gerena-associates.com

Referências:

(1) Adams, S. A., & Riggs, S. A. (2008). An exploratory study of vicarious trauma among therapist trainees. Training and Education in Professional Psychology, 2(1), 26.

(2) Straussner, S. L. A., & Calnan, A. J. (2014). Trauma through the life cycle: a review of current literature. Clinical Social Work Journal, 42(4), 323-335.

(3) Perez, N. M., Jennings, W. G., Piquero, A. R., & Baglivio, M. T. (2016). Adverse childhood experiences and suicide attempts: the mediating influence of personality development and problem behaviors. Journal of youth and adolescence, 45(8), 1527-1545.

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