Quem cuida das nossas crianças?

April 28, 2020
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Marcos Restrepo, conselheiro de serviços para idosos do Memorial Healthcare System

As comunidades hispânicas tornaram popular a palavra “abuela”, que significa avó em português. A avó é uma cuidadora, uma manta de segurança, uma tranquilidade para os pais que trabalham que não querem ou não têm condições financeiras de deixar os filhos em uma creche.

Os pais confiam na cultura tradicional em que foram criados e dependem dela para fornecer aos filhos as ferramentas necessárias para estarem preparados para a escola.

As abuelas oferecem conforto, cuidado e horas de brincadeiras com segurança para bebês, crianças pequenas e mesmo para crianças maiores.Mas quais são as condições desses idosos? Uma abuela é provavelmente uma imigrante.Nesse caso,essa imigrante pode ter ‘contribuído para o sistema’ por ter vindo para os Estados Unidos há muitos anos e contar agora com a aposentadoria do Social Security, serviços de Medicare e talvez Medicaid.Outras idosas podem ter sido trazidas mais recentemente para os EUA através do patrocínio de um cidadão americano e não ter nenhuma rede de segurança. Outras envelheceram e ainda são indocumentadas.

Qualquer que seja a situação, avós, que desempenham um papel importante de cuidadores no dia a dia de muitos bebês, crianças pequenas e crianças em idade escolar, deveriam contar com uma boa proteção e cobertura de saúde para garantir que possam fornecer cuidados diários adequados.

Precisamos ter em mente que a qualidade dos cuidados fornecidos está conectada com a saúde emocional e física desses idosos.

Alguns idosos atuam como guardiões dos netos, isto é, são seus principais cuidadores. De acordo com um artigo da organização Pew Trust 2016 publicado em 2015, no mínimo 2,9 milhões de crianças vivem com os avós.

Como esses cuidados diários impactam a vida dos idosos? Aquela abuela tem assistência para ajudar os netos a começar com o pé direito, da melhor maneira possível mesmo em uma situação de pobreza?

Conforme outra fonte: “Os avós que desempenham o papel de guardião estão representados em todas as raças e etnias. Contudo, avós em grupos de minorias raciais ou étnicas representam o maior número na população dos cuidadores. É também importante notar que 67% têm menos de 60 anos de idade, e 25% deles vivem em situação de pobreza apesar de a metade dos avós-guardiões fazer parte da força de trabalho”.

Nós admiramos esses avós por, sem dúvida, fazerem um excelente trabalho. Afinal, é a segunda vez que desempenham esse papel. Mas e seu próprio bemestar? Estão se sentindo bem? Tomar conta dos netos vários dias por semana rompe o ciclo do isolamento? Se isso não acontecer, o comportamento desta abuela tem um impacto nas crianças sob seus cuidados?

Os idosos que apresentam dificuldade em falar inglês e utilizar o computador pedem ajuda aos netos para navegar a internet, mas as crianças talvez não consigam entender a linguagem complexa dos websites do governo.

A American Association of Retired Persons (Associação Americana dos Aposentados - AARP), citando os dados do censo dos Estados Unidos de 2010, informa que, na Flórida, acima de 342.000 crianças vivem com os avós. Há inúmeras fontes que indicam um enorme número de organizações locais que oferecem vários serviços, mas o trabalho com educação em saúde nos demonstra que algumas vezes as pessoas não possuem, entre outros fatores, a educação em saúde necessária para acompanhar um processo que requeira ler e escrever.

“Setenta e um por cento dos adultos com mais de 60 anos demonstraram dificuldade em usar materiais impressos, 80% em usar documentos como formulários e gráficos, e 68% defrontam-se com dificuldade em interpretar números e fazer contas”, de acordo com a National Assessment of Adult Literacy (Avaliação Nacional de Alfabetização de Adultos - NAAL).

Além disso, existem os problemas relacionados a transporte enfrentados por adultos mais velhos. Talvez precisem de ajuda adicional quando forem informados que necessitam se locomover para obter vários serviços. Um relatório recente da organização Transportation for America afirma: “Até 2015, acima de 15,5 milhões de americanos com 65 anos ou mais viverão em comunidades onde o serviço de transporte público é de má qualidade ou não existente.Este número deve continuar a crescer rapidamente com o envelhecimento da geração baby boom que mora nos subúrbios, sendo que aqueles que não dirigem contam com poucas opções de mobilidade”.

Os idosos lidam com seus próprios problemas de saúde, e conforme os dados indicam, muitos ainda trabalham. O pedido de um período de descanso é mais um item adicionado à sua lista de desafios diários e mais uma fonte de ansiedade.

O bem-estar de uma criança e a saúde física, mental e emocional de cuidadores idosos andam lado a lado. Se insistirmos na ideia de que é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança, precisamos incluir os idosos como parte desta comunidade. 

Marcos Restrepo é um conselheiro de serviços para idosos do Memorial Healthcare System e coordena o Adults Living Life Independent Educated and Safe, ALLIES (Adultos Vivendo uma Vida Independente e Segura), um programa para os residentes do condado de Broward com acima de 80 anos e ainda vivendo independentemente.

 

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